Postagens

Mostrando postagens com o rótulo As pequenas chances; Natalia Timerman

As pequenas chances

  " A morte me diz que foi pouco, embora tenha sido tanto; a morte me diz que eu quase não filmei meu pai, a voz dele, seus gestos. A morte me diz que tirei da câmera do celular o modo “live” para economizar memória (economizar memória), e então perdi segundos de movimento, perdi gestos dele que poderiam estar completos em imagens e pequenos filmes. A morte me diz que não há mais abraço de pai, que nunca mais haverá; a morte é a morte do cheiro, nunca mais, da presença, do tempo. A morte sussurra o não, minha insuficiência; embora tenha sido tanto, foi tão pouco, pai. É sempre tão pouco perto do nunca mais. E nunca mais é tanto tempo." TIMERMAN, Natalia .  As pequenas chances ,  São Paulo: Todavia, 2023