A existência e a morte
Não há incômodo maior do que falar da morte. Não se fala dela a pessoas muito doentes ou idosas, embora se saiba que ela pode estar próxima. Não se fala dela a crianças, embora se saiba que ela pode estar distante. Também não se fala a quem perdeu um ente querido, embora se saiba que ela está presente. Não falar da morte, porém, não significa que todas essas pessoas não pensem nela e, acima de tudo, não sejam afetadas por ela. Ou seja, o incômodo estará lá de um jeito ou de outro, porque falar da morte não seria um incômodo se a própria morte não o fosse. Falar da morte é um incômodo porque sua imagem está aí, assombrando-nos, e falar dela é trazer à tona aquilo que todos carregam em silêncio, como se não falar de um peso em nossas costas pudesse torná-lo mais leve. Mais do que o respeito e a compaixão pelos doentes, crianças ou viúvos, é esse incômodo que inibe a discussão, e essa inibição acabou por constituir-se em um costume bastante difundido nos dias de hoje: evitar falar d...